Armas de Haste

Arma de haste é o termo genérico para qualquer arma composta por um fuste, ou uma haste, em cuja ponta é fixada uma lâmina ou objeto de metal. Apesar da lança ser o exemplo mais antigo e conhecido de uma arma de haste, a categoria inclui diversas outras, como a acha, a alabarda, o pique e o bardiche. O bastão longo, historicamente utilizado por civis para defesa pessoal e para competições, também é considerado uma arma de haste. Por ser relativamente seguro para treinos e por ter sido descrito extensivamente em manuais históricos de luta armada, ele é excelente para se aprender as técnicas básicas de luta com armas de haste.

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A Estrutura e o Uso do Bastão e das Armas de Haste

O bastão é uma vara cilíndrica com espessura aproximada de 4 a 6 centímetros, usualmente feito de madeira de lei - como carvalho, freixo ou nogueira. É encontrado em tamanhos diferentes: curto, de 2 a 3 metros de comprimento, e longo, de 4 a 5 metros. Outras armas de haste possuem comprimentos variados – de 2 metros a até mesmo 6 metros, no caso de alguns piques. O formato de suas pontas varia de acordo com sua função, podendo ser encontrados martelos, pontas afiadas, lâminas e combinações de diferentes elementos ofensivos.

 

O alcance ofensivo das armas de haste, apesar de muito maior do que o de uma espada, lhes conferem algumas desvantagens. Se, por um lado, a maior distância do oponente confere proteção, por outro, torna-se impossível criar uma ameaça em um espaço pequeno que limite seu manuseio. Uma vez que o oponente se aproxime o suficiente, o comprimento da arma torna-se um problema.

 

Devido ao tamanho de suas hastes, as técnicas dão ênfase a estocadas e a movimentos amplos em arcos, de forma que seja possível atingir o oponente com a ponta da arma. Algumas armas, como a lança, podem ser empunhadas em uma das extremidades para ter enfoque em estocadas e golpes fortes, ou próximo ao centro, de forma que ambas as suas extremidades possam ser utilizadas no combate. Utilizar apropriadamente as duas extremidades é importante no combate com armas de haste, pois permite que um ataque do oponente seja defletido com uma das pontas e simultaneamente gerar impulso para um movimento ofensivo com a outra extremidade.

A ponta da arma de haste define qual aspecto do seu manuseio deve ser enfatizado durante um duelo: um usuário de lança tende a realizar mais estocadas do que alguém que esteja utilizando um bardiche.

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A História das Armas de Haste

As armas de haste combinam duas tecnologias diferentes: a lança, umas das armas mais antigas conhecidas e parte importante do arsenal de guerra durante a Antiguidade e a Alta Idade Média, e diversas ferramentas utilizadas pelos camponeses no dia a dia, como foices, machados e martelos. O resultado são armas de longo alcance que incorporam lâminas, machados e espinhos, o que influenciou de forma profunda os conflitos armados da Baixa Idade Média e do Renascimento.

 

Embora a maioria das armas de haste tenham sido utilizadas amplamente apenas durante os séculos XIII e XIV, machados com hastes longas já eram usados durante a Alta Idade Média, e tridentes durante a Antiguidade Clássica.

 

O desenvolvimento e a popularização desse tipo de arma durante a Idade Média ocorreram como uma resposta ao domínio dos campos de batalha por cavaleiros utilizando montarias. As armas de haste tornaram-se um recurso utilizado pela infantaria para enfrentar o avanço da cavalaria, pois permitiram que tanto os cavalos quanto os cavaleiros fossem atacados de uma distância relativamente segura. A partir do final do século XIV os cavaleiros passaram a incorporar as armas de haste em seu arsenal, utilizando-as no campo de batalha, em torneios e em combates. Os manuais de combate italianos do século XV em diante passaram a incluir seções proeminentes sobre o uso desse tipo de arma.

 

As armas de haste mantiveram-se no arsenal de exércitos europeus por séculos, mas perderam sua popularidade nos duelos a partir do século XVI, quando a rapieira tornou-se a arma de escolha neste tipo de conflito. Nos campos de batalha, há registros do uso de armas de haste até o início do século XIX, mas um declínio importante em seu uso ocorreu já a partir do final do século XVII, com a disseminação da baioneta nos conflitos armados.