Espada Longa

O termo "espada longa" contempla uma ampla variedade de espadas com lâmina longa - e larga - que podem ser utilizadas com uma ou duas mãos. As técnicas da espada longa servem tanto para situações de duelo (combate um contra um) quanto para o campo de batalha. Essa arma se tornou muito popular nas histórias de fantasia, como as lendas do Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda, e filmes como O Senhor dos Anéis.

 

Embora muitos pensem que a espada longa seja uma arma bruta e simples feita unicamente para golpes grosseiros, ela é, na verdade, uma arma sofisticada, capaz da mesma finesse que suas contrapartes mais leves, como a espada singela e a rapieira.

 

Talvez o problema seja o mito de que a espada longa é uma arma pesada e que somente os mais fortes guerreiros eram capazes de manuseá-las com destreza. Na realidade, as espadas longas não pesavam mais do que 2 kg. O peso médio de uma espada longa típica é em torno de 1,5 kg, tornando seu uso acessível para qualquer adulto.

O sistema de combate estudado na Praeliator é dedicado igualmente para os cortes e para as estocadas. Enfatiza movimentos circulares, precisão, potência, como ganhar a Incrossada, e como perceber e responder ao posicionamento, à pressão e aos movimentos do oponente.

Espada Longa Marco Danelli

A Natureza da Espada Longa

Os combatentes da espada longa fazem passos rápidos para frente e para trás, mantendo uma distância segura de seu oponente, enquanto o mantém sob ameaça. Os oponentes, com suas lâminas circulando firme, procuram por vantagens e controle sobre a arma do adversário. O bater e raspar de aço contra aça se mistura com o farfalhar do jogo de pés, até que um lutador avança – como um borrão, confiante em sua posição e tempo.

A espada longa é uma arma de duas mãos: uma mão empurra o cabo, e a outra puxa o pomo, criando uma alavanca. Movimentos poderosos de todo o corpo, sempre se movendo em círculos e oitos, contribuem para a tremenda força de corte da arma. Os oponentes se juntam em cruzamentos dinâmicos com as espadas, que sempre buscam obter vantagem.

A espada longa foi descrita como o “grande equalizador”: embora a força bruta possa funcionar contra um oponente, a técnica, a velocidade e a destreza triunfarão. Sacrifícios devem ser feitos em uma área, para ganhar em outra. Por exemplo, cortes a partir dos ombros possuem a maior força, mas são os mais lentos, enquanto que os cortes a partir dos punhos são incrivelmente rápidos, mas muito fracos para fazer grandes danos.

A espada longa é uma excelente professora para alguns princípios de combate:

  • Gerar potência.

  • Movimentação e fluidez de combate.

  • Percepção e movimentos de 360º.

Fisicamente, a espada longa lhe ajudará a desenvolver:

  • Jogo de pés e postura efetivos.

  • A habilidade de se mover com fluidez, potência e velocidade.

  • Seu corpo em uma potente ferramenta marcial.

O jogo mental da espada longa lhe ensinará:

  • Confiança e tomada de decisão.

  • Estratégias de combate que misturam cortes, estocadas e agarrões.

  • Como pensar em 3 dimensões.

A História da Espada Longa

A espada do cavaleiro medieval sofreu diversas mudanças durante os Séculos XIII e XIV que produziram uma arma não somente maior, mais leve e altamente versátil, mas também um novo sistema de combate para explorar essas novas características que a espada longa podia oferecer.

 

Por vários séculos, a espada do cavaleiro fora uma arma de uma mão, de lâmina larga, com cerca de 90 cm e grande poder de corte. Entretanto, com a evolução das armaduras e suas placas de metal, capazes de desviar as lâminas afiadas sem muita dificuldade, as armas de corte estavam se tornando cada vez menos eficazes.

 

Para superar essa nova tecnologia, tanto a lâmina, quanto o cabo da espada do cavaleiro, gradualmente aumentaram de tamanho, resultando em uma arma com cerca de 110 cm de comprimento desenhada para ser empunhada com as duas mãos. Além disso, a lâmina se tornou cada vez mais fina, terminando em uma ponta aguda.

 

Assim, a espada longa surgiu na história: graças a ferreiros que aprimoraram a tecnologia da forja para produzir armas capazes de derrotar oponentes vestidos com armaduras de placas - as quais podiam cobrir praticamente todo o corpo no virar do Século XV.

 

Com as novas espadas e armaduras de placas se espalhando pela Europa na Idade Média, surgiu um sistema de combate novo e sofisticado. A espada longa permitia ao combatente manter uma distância maior de seu oponente e, assim, permanecer mais seguro. Os cortes continuaram sendo um importante forte, mas o novo formato de lâmina também possibilitou poderosas estocadas, podendo penetrar áreas desprotegidas do corpo ou pontos fracos na armadura.

 

A espada longa logo se tornou a arma mais comum na Europa, sendo usada por cavaleiros, soldados e até mesmo civis. Foi amplamente difundida, tanto em campo de batalha, quanto em torneios. Seu uso persistiu até o final do século XVII, quando declinou devido a popularidade das espadas de duelo. Ainda assim, durante o período entre 1350 e 1600 se produziu um rico legado de manuais de combate que exploraram as vastas possibilidades oferecidas pela arma.

O primeiro manual de combate a descrever o uso da espada longa data do final do século quatorze: um dos manuais mais notáveis do mestre alemão Johannes Liechtenauer, datado de 1389. O manual italiano mais antigo descrevendo o uso da espada longa é a Fior di Battaglia, de Fiore dei Liberi, datado de cerca de 1410, do qual pelo menos três manuscritos ainda existem. Esse texto, com suas descrições e ilustrações detalhadas, serve de alicerce para o currículo de espada longa da Praeliator em nossa redescoberta da esgrima medieval.

 

Outros textos italianos mais tardios, que abordam a espada longa, incluem De Arte Gladiatoria Dimicandi, 1482, de Philippo Vadi, e a Opera Nova dell’Arte delle Armi, 1536, de Achille Marozzo.