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Conexões Além das Fronteiras: Artes Marciais Ocidentais e Orientais

O mundo das artes marciais é um mosaico complexo de culturas e tradições que se entrelaçam ao longo dos séculos. Embora pareçam distintas geograficamente, as Artes Marciais Ocidentais e Orientais compartilham muitas semelhanças. Nesta publicação, mergulharemos nas evoluções paralelas dessas tradições marciais.



Breve Paralelo Histórico: Ocidente & Oriente

Tanto as Artes Marciais Ocidentais quanto as Orientais têm suas raízes profundamente enraizadas na história. Em 1200 d.C., monges de um pequeno monastério na China ensinavam artes marciais. Na mesma época, na Alemanha, monges do monastério Wurzburg ensinavam a arte de combate com espada e broquel.


Em 1400 d.C., no Japão, a escola Tenshin Shoden Katori Shinto foi fundada. Na Europa, Fiore dei Liberi, depois de muitos anos ensinando sua arte de combate, sentou-se e escreveu seu método na famosa Il Fior di Battaglia.


Em 1600, a arte da espada japonesa atingia seu pico. Musashi Miyamoto e Munenori Yagyu escreveram seus manuais, e as escolas da arte da espada japonesas prosperaram. Na Europa, no mesmo período, a arte da esgrima chegava ao seu pico com o desenvolvimento da rapieira e seus métodos. Os grandes Ridolfo Capoferro e Salvator Fabris escreveram seus métodos no Gran Simulacro e Lo Schermo, respectivamente.


Um Contraste na Preservação das Artes

A partir desse ponto, tanto as artes orientais quanto as ocidentais se depararam com desafios distintos. As artes japonesas encontraram preservação através do misticismo e da filosofia, enquanto as europeias foram relegadas em favor de tendências de moda, competições esportivas e a ascensão das armas de fogo.


Naquela época, mudanças políticas no Japão favoreceram a preservação contínua das artes marciais medievais, mantendo-as vivas e ensináveis até os dias atuais. Em contrapartida, as artes europeias foram gradativamente esquecidas, sobrevivendo apenas nas páginas de alguns estudiosos. No entanto, graças aos incansáveis esforços desses acadêmicos, hoje podemos mergulhar na rica herança marcial da Europa com o mesmo entusiasmo que dedicamos às artes asiáticas.


As Artes Marciais Ocidentais

A história escrita das artes marciais europeias inicia nos anos 1200. Um manual mantido na Biblioteca da Torre de Londres, conhecido unicamente pela sua referência numérica “i.33”, detalha um método de luta envolvendo uma arma de uma mão e um pequeno broquel. O manual é ricamente ilustrado e parece representar monges cristãos demonstrando as técnicas uns com os outros. Os monastérios cristãos da Europa eram muito parecidos com os monastérios budistas na Ásia: eles serviam de refúgio para os guerreiros cansados da guerra e que procuravam uma vida mais pacífica; e por muitas vezes, os monastérios mais antigos eram alvos de saques. Não é exagero, então, imaginar que a prática marcial dos monges não fosse meramente diversão.


O que não sabemos sobre o manual i.33 é o que ele não nos diz. Sabemos que ele ensina um método de luta com espadas. Porém não sabemos se foi planejado para o uso em campo de batalha. Não sabemos se ele representa um método comum de luta com espadas, ou se foi um exemplo raro e único. Tudo o que sabemos é que uma pessoa, em 1200 d.C., sabia um sistema de combate com espadas, com uma das várias armas usadas naquele período e teve tempo, recursos e motivações para escrevê-lo.


Sabemos que desse ponto em diante a Europa teve uma longa e bem estabelecida tradição de escolas de artes marciais. Essa tradição vai desde as grandes guildas alemãs Federfechter e Marxbruder, aos mestres de Defesa ingleses, à Academie Real Francesa, às inúmeras e renomadas escolas dos mestres italianos e espanhóis. Os manuais sobreviventes desse tempo, até então artefatos raros em coleções particulares, museus e bibliotecas nacionais, agora estão disponíveis na Internet, e muitos têm traduções disponíveis para o inglês e português.


Embora as artes marciais europeias não tenham tido a mesma continuidade de estudo daquelas do Oriente, agora é um momento de ressurreição, tanto por meio da recriação da arte exatamente como era feita há centenas de anos, quanto como uma arte marcial moderna e envolvente. Escolas de Artes Marciais Ocidentais não são, de forma alguma, tão comuns quanto às Orientais, porém já existem diversas escolas com esse foco, sendo a Praeliator uma delas.

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