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Explorando as Raízes da Defesa Pessoal: Abrazare e Daga a Rondelle na Esgrima Histórica

Na vasta tapeçaria das artes marciais históricas europeias, as técnicas de combate desarmado e combate com adaga têm um lugar especial. Elas não apenas enriquecem a compreensão das artes marciais, mas também fornecem ferramentas valiosas para aprimorar o domínio das outras armas. Neste artigo, vamos mergulhar nas nuances do Abrazare e da Daga a Rondelle, explorando suas contribuições para a esgrima histórica e sua rica herança.



Abrazare

As técnicas do combate desarmado são baseadas dentro do sistema de Fiore dei Liberi, chamado Abrazare. O objetivo do sistema é levar o oponente ao solo da forma mais fluida e eficaz possível, sem irmos juntos ao solo. Como o sistema é desenvolvido para lidar com múltiplos oponentes e para ser usado em situações de campo de batalha, geralmente evita-se a luta no solo.


O foco principal do sistema de combate desarmado é aprender boa mecânica corporal, desenvolver boa conexão com o solo e expandir a base marcial para o aprendizado futuro das demais armas.


Daga a Rondelle

O punhal é uma faca leve, de lâmina estreita e ponta aguçada, usada fundamentalmente para apunhalar. Na Idade Média e Renascença, era usada por nobres e cavaleiros como arma secundária e por burgueses como arma de defesa pessoal. As armas medievais tinham guarda em cruz e pomo esférico, mas o punhal de rodelas (daga a rondelle) é a forma típica do século XV, caracterizada por guarda e pomo circulares. Tinham comprimento de 30 a 50 centímetros, lâminas triangulares e pesavam entre 300 e 500 gramas.


​As técnicas de adaga e defesa pessoal incluem arremessos, agarrões, chaves em articulações, pegadas e desarmes - todas baseadas nos ensinamentos do mestre do século XV Fiore dei Liberi.



Ênfase do Combate Desarmado

Nosso sistema de combate desarmado enfoca:

  • Controle do Centro – trabalhe no seu centro, onde você é mais forte, afaste o oponente do centro de força dele e controle o centro da luta.

  • Golpes – use golpes a pontos de dor para eliminar vantagens como diferença de tamanho ou força.

  • Quebrar a Estrutura – use golpes e pegadas para quebrar a conexão do oponente com o solo.

  • Tomar o Espaço – ocupe o espaço do oponente para eliminar suas opções marciais.


A História da Adaga



A adaga, punhal, ou ainda faca longa, era chamada pelos italianos de daga. No início da Idade Média, era carregada por lanceiros como arma reserva, em vez da espada. Somente na segunda metade do século XIII que a adaga aparece como uma arma secundária carregada junto à espada. O formato da adaga geralmente se assemelhava a uma espada em miniatura. No século seguinte, carregar uma espada e adaga se tornou comum; e no virar no século XIV para XV, os homens-de-armas quase que universalmente carregam uma nova forma de adaga: a daga a rondelle.


A adaga "de rodelas" tem esse nome devido às rodas ou discos que serviam tanto de guarda como pomo (alguns exemplares mais antigos tinham pomos esféricos, mas estes eram incomuns nos meados do século XV). Os dois discos serviam para "travar" a adaga na mão, especialmente quando se usava manoplas. Essa empunhadura travada permitia golpes muito fortes, enfatizando a principal função da adaga: penetrar as armaduras de malha ou as articulações das armaduras de placas.


A lâmina podia ser com dois gumes, um gume, ou até mesmo sem gume, tornando a adaga um grande picador de gelo! Todas eram muito longas (Vadi recomendava uma arma com o comprimento da mão e antebraço) e muito pontiagudas, já que o foco era a estocada. Entretanto, havia algumas formas de adagas que eram mais comuns que as outras. A primeira e mais comum era a com gume único, com lâmina larga que podia ou não ser achatada em um filo falso na porção final. A segunda, triangular, sem gume, desenhada especialmente para penetrar armaduras. Por vezes, a porção final da lâmina podia receber um perfil triangular, dando à adaga uma superfície mais estreita no ponto de impacto. A terceira forma, ainda que mais rara, tinha uma seção transversa quadrangular. Adagas de rodelas com lâmina mais tradicional de dois gumes eram ainda mais raras.


A forma antiga de adaga, com cabo semelhante à espada, nunca desapareceu, e como a adaga se tornou uma peça popular na moda civil, ela prosperou. Com o declínio das armaduras e broqueis no século XVI, houve uma crescente popularidade na esgrima com espada e adaga, e a adaga tomou a forma de um punhal longo, com dois gumes (italiano pugnale). Essa era a arma ensinada pelos mestres de Bolonha, tanto solo, quanto combinada com espada ou capa, e seguiu como companhia comum à rapieira através do século XVII.

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