Os Pilares da Esgrima

Atualizado: 21 de fev.

Toda arte possui uma estrutura, ou seja, uma organização de seus fundamentos e princípios de onde toda a técnica emerge. Quando pensamos na estrutura da esgrima, podemos pensar em um prédio com quatro pilares. O alicerce do prédio são as causas, as motivações. Os pilares são os princípios e os meios que usamos para construir as técnicas, táticas e estratégias.




As causas são as razões ou motivações que surgem dos diversos contextos. Numa situação de duelo, a causa, ou razão de ser, é a sobrevivência. Em situação de defesa pessoal, a causa é escapar do assalto, agressão. Em batalha, a causa é lutar em linha e dar suporte aos outros, enquanto controlamos o espaço. Quanto mais causas, mais ampla é a arte, e mais há para se aprender.


O chão, onde construímos o alicerce, é a causa: a motivação que governa a postura e mecânica. Então construímos os quatro pilares: medida, cobertura, linha e tempo. Os pilares sustentam as técnicas, táticas e estratégias de combate.


Medida

Medida é o entendimento e controle da distância, seja defensiva, seja ofensivamente. É onde preciso chegar ou estar para executar a técnica.


Cobertura

Cobertura é o controle das linhas de ataque do oponente: capacidade dele de golpear. Cobertura controla a defesa. A forma que devemos colocar a espada pra nos defender do oponente. Novamente, seja durante uma ação ofensiva, seja defensiva.


Linha

Linha é o controle da oportunidade: nossa capacidade ofensiva de chegar ao oponente. Podemos pensar em linha e cobertura como dois lados de uma mesma moeda. Cobertura é a capacidade do oponente de nos atacar; linha é a nossa capacidade de atacá-lo.


Não confundir com "modo" de combate atacar ou defender. Podemos pensar em defesa enquanto atacamos, na verdade, pensamos simultaneamente. Pode ser ao receber um ataque e como criar a linha para contra golpear; ou iniciar um ataque e pensar em como se proteger com este ataque, onde está a oportunidade, e onde está a cobertura que permite golpear o oponente de forma segura.


Tempo

Entendemos tempo como tempo propriamente dito, como oportunidade, como duração e proporção. Tempo pode ser visto como unidade de movimento: a pausa entre duas ações, ou a ação entre duas pausas. Pode ser visto como a velocidade e rapidez do movimento. Também pode ser visto como duração e comprimento do movimento, facilitando a comparação entre duas ações (proporção). E por último, podemos considerar tempo como o momento de agir.


Aplicação Prática

Devemos usar os quatro pilares para analisar toda e qualquer ação nossa ou do nosso oponente. Ações essas que estão assentadas sobre os pilares: técnica, táticas e estratégia.


Técnica é a ação propriamente dita. Tática são as opções que surgem da interação com o oponente. Estratégia, do grego, stratigikí, (não, sacanagem). Estratégia é o objetivo final da técnica.


Podemos então usar os quatro pilares para questionar e diagnosticar situações particulares num combate, ou como elas ocorreram. Foi golpeado? Falhou ao tentar golpear o oponente?


Você pode se perguntar:

  • "Eu estava na medida certa?"

  • "Eu tinha cobertura?"

  • "Eu estava trabalhando numa linha, i.e., criando uma oportunidade e golpeando numa linha adequada, que estava aberta?"

  • "Agi no momento certo?"


Exercício

  1. Construa um jogo com quatro ações simples. Determine as guardas iniciais, distância entre os jogadores e a oportunidade de ataque apresentada.

  2. Mude a medida do jogo. Analise como isso altera as técnicas utilizadas.

  3. Volte para o jogo original e mude a cobertura. Analise as alterações que surgem.

  4. Volta ao jogo original e mude a linha. Analise as opções táticas que surgem.

  5. Por último, volte ao jogo original e mude o tempo. Analise as alterações.

Deixe nos comentários o jogo que você construiu e quais alterações de medida, cobertura, linha e tempo você observou. Quais opções táticas surgiram? Como as técnicas mudaram? Quais oportunidades surgiram?

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