Os Três Princípios Defensivos


Em nossos treinos, os alunos aplicam as técnicas em seu contexto já na primeira aula. Colocam equipamentos de proteção e têm sua primeira experiência na esgrima medieval. Os movimentos de defesa são instintivos: é uma necessidade de sobrevivência; e a maioria dos alunos aprende bem rápido a evitar os golpes.


Porém, o que faz uma defesa ser bem-sucedida?



Para responder, reduzimos o sucesso da defesa a três princípios fundamentais: distância, cobertura e ângulo. Vejamos cada um.


Distância

Distância é uma ferramenta defensiva poderosa, não por que simplesmente nos coloca fora do alcance do ataque, mas também por que é uma das melhores maneiras de ganhar tempo. Forçar o oponente a cobrir uma maior distância, nos dá tempo para desenvolver contra-ataques, formar boas coberturas e buscar oportunidades para entrar.

Por meio da distância, buscamos aumentar o movimento do oponente e encurtar a nossa defesa ou contra-ataque. Assim, temos tempo de ver esse ataque se desenvolver, responder com um contra-corte mais curto, por exemplo, e golpear nosso oponente durante seu movimento.


Cobertura

Se julgarmos mal a distância ou ângulo, é fundamental termos nossa espada protegendo as áreas vitais do nosso corpo. Ao compreender como estruturar e posicionar coberturas adequadamente, podemos, não somente nos proteger, mas também criar barreiras para que o oponente contorne e, assim, ganharmos mais tempo para nossos contra-ataques.

Na nossa prática, "cobertura" inclui tanto aparar (ou seja, bloquear), quanto colocar nossa espada em posições que restrinjam a capacidade de ataque do oponente (chamado "stringere").


Ângulo

Mudar nosso ângulo em relação a um dado ataque ou em relação ao oponente, é um princípio poderosíssimo, porém difícil de executar. Ângulo, em esgrima, é usado de duas formas. Em relação ao oponente: podemos fazer um passo para direita ou esquerda enquanto atacamos, a fim de restringi-lo taticamente (ele só pode atacar facilmente por um lado ou deve virar para encarar o golpe), e para golpear mecanicamente fora de sua linha central, a fim de superar sua defesa ou tirá-lo do equilíbrio. Ou, em relação ao ataque: podemos nos virar em direção ao ataque para derrotá-lo mecanicamente ao aparar ou golpear através dele, ou podemos dar um passo sob o ataque, a fim de evitá-lo enquanto cobrimos distância e trocamos o ângulo com o oponente.


Esses princípios apareceram em muitas das artes marciais que pratiquei. Sempre que possível, tento traçar um paralelo entre como eles são usados em um combate desarmado e como são combinamos de diferentes formas na esgrima medieval.


E você, já viu esses princípios serem aplicados em outras artes marciais? Deixe seu comentário!


TAGS: Defesa, Esgrima, Espadas

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