VI Encontro Paulista de Esgrima Histórica

Ontem tive a oportunidade de participar do VI Encontro Paulista de Esgrima Histórica. Foram dois dias de evento, com palestras dos mais variados temas, com instrutores nacionais e internacionais.


Compus uma Mesa Redonda, junto ao Felipe Barreto, da Batalha Cênica Salvador, mediada pelo Raul Losker, do Javalis Combate Medieval, onde conversamos sobre o "Ensino e Organização em Grupos de Esgrima Histórica".


Conversamos sobre como funcionam os treinos nos respectivos grupos, como orientamos e recebemos alunos novos à esgrima, algumas metodologias de ensino, bem como a construção de um ambiente de treino que seja saudável e favoreça o aprendizado.


Aqui vai um "resuminho" de algumas das perguntas que respondi:


Raul: Como era a rotina de vocês de treino?

Vitor: Antes da pandemia tínhamos quatro horários de treino: terça e quinta à noite, e [dois horários] sábado à tarde. Os alunos entram e fazem um curso de fundamentos antes de ingressar no primeiro ranque. Os treinos são de uma hora, com 10 a 15 minutos de aquecimento, e 45 minutos de parte técnica; se sobrar tempo, fazemos sparrings. Temos cinco alunos no ranque Scholaro [intermediário], que recebem certificação internacional.


Raul: Em geral são alunos da academia [sede] ou do grupo [amigos, conhecidos]?

Vitor: Um pouco dos dois. Acaba tendo indicação de pessoas que treinam outras modalidades. Tem muitas pessoas que passam na frente, vêm os alunos treinando com máscaras e espadas, e resolvem entrar. É muito difícil conseguir trazer esse tipo de aluno, pois a arte marcial per se é muito intimidadora, com máscaras e espadas então, mais ainda. Então acaba sendo mais indicações de alunos.


Raul: Qual tradição vocês treinam?

Vitor: Nós seguimos a tradição italiana, treinando vários mestres: Fiore dei Liberi, Marozzo, Manciolino, Capoferro, entre outros. O que eu costumo falar pro pessoal é que a gente treina esgrima, e não necessariamente um mestre. A gente permeia todos os mestres em todas as armas. Uma coisa é o que tu vai ler no manual; outro é como eu vou te apresentar e ensinar isso em aula; e outra é como tu vai aplicar isso em combate.


Raul: Quanto aos manuais, temos que ler ou vocês deixam em aberto para quem quiser ler?

Vitor: Normalmente, a gente não exige que o aluno leia os manuais. A gente só pede que o aluno faça uma leitura, quando ele vai prestar exame para o segundo ranque. Para fazer essa transição, a gente pede que ele faça uma leitura do Fiore, alguns trechos, e responda algumas coisas como "Quem foi Fiore? O que ele fala sobre os cortes? E sobre as guardas?" Mais como uma tentativa de entendimento sobre o que estamos treinando.


Raul: Quanto tempo leva, em geral, pra colocar um aluno novo no sparring?

Vitor: Depois que o aluno termina o curso de Fundamentos, depois de uns três meses ele já tem confiança para participar de combates lentos. Para participar dos combates mais rápidos, com menos "freios", leva mais de um ano.


Raul: Vocês podem falar um pouquinho mais sobre a parte física e disciplina para alunos novos?

Vitor: É importante ter isso claro, que é preciso ter essa construção [de propriocepção, consciência corporal]. A gente precisa dar chances para o aluno errar e ele perceber o que o instrutor quer que ele corrija.


Raul: Como lidar com estudantes que tem atitudes racistas, fascistas, homofóbicas, vocês já tiveram casos assim?

Vitor: Não. Isso vai da construção da cultura, de criar um ambiente sadio para todo mundo. Essa pessoas percebem que não são bem-vindas, dependendo da formalidade que tu constrói. Como o Felipe falou, tem uma formalidade que a gente segue. No momento que tu começa a apresentar as aulas, como tu te comporta com os alunos, como tu trata instrutor-aluno, como os alunos se comportam, e vai dando essas direções do que é o mais "certo", ou mais "saudável"; ter algumas regrinhas que tu vai colocando em prática: saiba que a tua segurança, e a do colega, é tua responsabilidade; com essas pequenas formas de apresentar o que a gente considera certo, essas pessoas que têm esse comportamento tóxico, já se sentem não bem-vindas e vão sentir que não fazem parte daquele ambiente. Tu acaba não dando oportunidade para esse tipo de comportamento aparecer.


Raul: Quais são os melhores lugares para adquirir material aqui no Brasil?

Vitor: Recomendo a Flèche Brasil, para máscaras. Recomendo o Murilo Ferreira e o Marco Gamborgi para espadas.


Confere aí na íntegra como foi:





40 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo